Projetos de Arte Eletrônica: a experiência do LAE com Rejane Spitz
Dia 28 de agosto de 2017
Bom dia, loucos galáticos eletrizados!
A professora chega de sua incrível viagem e mostra que “sim, ela realmente lembra o nome de todo mundo”.Menos o meu, por que não
deu pra eu vir naquela aula aah
Bom dia, loucos galáticos eletrizados!
A professora chega de sua incrível viagem e mostra que “sim, ela realmente lembra o nome de todo mundo”.
Rejane começa a palestra falando sobre alguns projetos de
designers como um coelho de pelúcia que chora junto com a criança para que ela
pare de chorar (curioso, curioso) e o Aromapoesia,
de Eduardo Kac.
Todo leitor que se preze (como eu) sabe o prazer de pegar
um livro novo, folheá-lo e cheirá-lo. Digamos que foi nesse ponto que o
designer brasileiro Eduardo Kac – pelo o que eu vi, alguém famoso internacionalmente
e ao mesmo tempo polêmico por explorar a arte transgênica (oh, assunto polêmico
mesmo, né gente?) – trabalhou a fundo. Ele criou esse livro, o Aromapoetry,
usando de nanotecnologia para fixar os cheiros nas páginas.
É como se, em cada página, o leitor experimentasse uma
sensação diferente através dos aromas. Não é um livro para ler, e sim para
cheirar. É para sentir cada uma de suas 12 poesias.
Achei bacana a professora começar a abrir nosso leque de
possibilidades dessa forma, mostrando o que o designer está fazendo agora
de tão inovador. Essas coisas me inspiraram tanto. Eu realmente não sabia que
um designer poderia criar tanta coisa. Pensei em engenheiros, químicos, talvez.
No design? Nunca.
E isso foi só uma pequena introdução pro que realmente era
o assunto de hoje: A história da professora Rejane Spitz e de todos os projetos que ela desenvolveu em conjunto
com o Laboratório/Núcleo de Arte Eletrônica
(LAE/NAE) do Departamento de Artes & Design da PUC-Rio.
“Como
se prepara um design para projetar em 2059?”
Rejane coloca a pergunta no ar e me deixa minimamente
curiosa (leiam até o final pra saber, apressadinhos).
A história dela é realmente encantadora. Sério, parece que
ela sempre esteve envolvida em tantos projetos maneiros e conhece tantas
pessoas importantes e famosas.
Tudo começa em 1975. A jovem Rejane inicia sua jornada acadêmica
em Desenho Industrial na PUC-Rio pensando em fazer embalagens, mas a vida dá tantas
reviravoltas. O tempo vai passando e ela se forma, faz pós, se
torna professora da PUC e começa a se aventurar num universo da mídia digital
quando nem havia computador direito no Brasil. Chegou a trabalhar um ano
fazendo vinhetas para a Globo, porém saiu de lá, pois queriam limitá-la muito.
Passou a se dedicar mais ao seu trabalho como docente e em desenvolver projetos
com o LAE, dentre outras coisas.
Primeiramente, em 1996, o Núcleo criou o primeiro web site
para a banda Barão Vermelho que era todo cheio de interações. Depois vieram
várias instalações criativas e interações.
Essa
questão de integrar o meio físico com a tecnologia e fazer as pessoas pensarem
sobre algo colocou nos meus lábios um sorriso do tipo: é isso que eu quero
fazer da vida, e nem sabia que podia.
Outra coisa é que todos os projetos do LAE tem uma
preocupação social. A maioria dos projetos te leva a pensar em vários conceitos profundos,
como a pobreza, a saúde e a educação, por exemplo.
Em 2005, o “Você tem fome de quê?” falava sobre a fome e a miséria. 100 pessoas foram entrevistadas na hora do almoço em diferentes lugares. Esses vídeos apareciam em telas que tinham bandejas transparentes na frente. Tudo era passado dentro de uma instalação interativa, onde as pessoas entravam, assistiam aos vídeos e viam hologramas (nos pratos das bandejas) que representavam a comida que cada uma das pessoas comia. Ia desde uma marmita, de um homem em um restaurante chique até alguém se alimentando de soro em um hospital. Parecia ser algo bem emocionante.

Rejane nos mostra os protótipos antigos e conta a história
engraçada de como a imagem sobre
impotência quase virou a foto da genitália
masculina explodindo, em vez do famoso joinha
para baixo.
Um dos projetos mais atuais é o Sentidos do Nascer que visava promover uma reflexão sobre a
cesariana desnecessária. A exposição ocorria dentro de contêineres e tinha 4
estágios: Gestação (onde todos podiam se ver grávidos), Controvérsias (onde vídeos
mostravam diversas opiniões sobre o assunto), Nascimento (onde você literalmente
nascia e saia de dentro de uma grande vagina) e Convivência (um espaço para o
diálogo). Queria ir numa parada dessas!
| Gestação |
| Nascimento |
Depois de toda essa viagem, ela nos disse que não devemos ficar agarrados a uma só área,
como ela própria pensava no começo. A maioria de nós veio pensando em jogo ou
animação, mas o design é não apenas isso. Precisamos explorar mais. Descobrir
que design é mais que desenho. Design é
projetar.
“O que nós estaremos projetando em 2059?”
E, finalmente, Rejane Spitz nos passa uma linda mensagem
que ainda está borbulhando dentro de mim. 2059 são 42 anos no futuro. 42 anos é
o mesmo tempo que tem desde que ela entrou para a faculdade. Ou seja, assim
como ela, nós temos uma linda trajetória pela frente, cheia de reviravoltas e de
crescimento. Um dia, teremos muitas histórias, projetos e conquistas para
contar. Nos encontraremos novamente com ela, lembrando de todos esses momentos
iniciais e preciosos.
O que me ajudou a descobrir mais ainda?
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